Arrabidine

Por essa altura, os frades arrábidos (como ficaram conhecidos) teriam já explorado a flora envolvente do Convento e tirado proveito da mesma, tendo criado a fórmula de um licor com excelentes propriedades digestivas e curativas. Ao conservá-lo na forma de licor, poderiam usufruir do mesmo durante um maior período de tempo.

Em 1834, o Rei D. Pedro III decretou a extinção das ordens religiosas em Portugal, obrigando os religiosos a abandonarem os conventos e propriedades clericais. Alguns dos frades arrábidos procuraram o exílio e poucos foram acolhidos por uma família abastada das redondezas, incluindo o frade licorista, guardião da fórmula. Na quinta da família, onde vieram a morar, continuaram a fazer o licor. À data da partida do frade licorista para o convento da Ordem em Espanha, a família herdou não só o conhecimento do fabrico do licor como a fórmula, dando-lhe o nome de Arrabidine.
Quando em 1950 o jovem Emídio Fortuna, de Quinta do Anjo, soube que a fórmula estava para venda adquiriu-a, assim como o espólio do mesmo: as últimas garrafas originais, produzidas na família e os tonéis [originais], os mesmos onde o Arrabidine ainda hoje descansa. 

Ao estudar a fórmula, Emídio apercebeu-se de que o Arrabidine só permaneceria um licor digestivo excepcional se mantivesse a produção deste exactamente como constava e a fonte de matéria-prima, indiscutivelmente, a flora da Serra da Arrábida. Só dessa forma o licor continuaria a ser o genuíno “Segredo dos Monges da Arrábida”. 
Ao registar a marca nesse mesmo ano [1950], manteve o nome original com a adição do elogio, marca pelo qual ficou conhecido e registado desde então: Arrabidine – Segredo dos Monges da Arrábida. 

Nas décadas que se seguiram, outros foram os licores que fizeram parte desta actividade empresarial e familiar, sempre com os refrigerantes em primeiro plano. Nos anos 80, com a decisão de industrializar a produção de refrigerantes, Emídio tentou prosperar também na produção de licores. Porém, esta viria a ser suspensa dos fins comerciais, em meados da mesma década.
Não deixámos de fazer Arrabidine de tempos a tempos – para manter a tradição; por ser uma “jóia de família”, e para partilharmos o saber e o sabor.

Hoje, o Arrabidine é propriedade da Lima Fortuna, empresa detida pela neta de Emídio, e tem como mestre licorista o seu filho, que mantém a produção do Arrabidine feita “à risca” pela fórmula original. 

O Arrabidine é dos poucos licores que nunca sofreu interrupção. O seu saber passou entre gerações, entre famílias, entre estratos sociais, mas todos quiseram que o licor fosse a Serra da Arrábida sublimada em estado líquido.

Por isso, assinalamos a data ‘1834’ nas nossa garrafas, de edição especial, para celebrar o momento em que o licor deixa de ser conventual – por abandonar os muros do Convento – para ser tradicional.
Somos a Casa do Arrabidine, onde o néctar é feito por quem o faz melhor e o torna maior, mantendo as raízes genuínas de um licor conventual na tradição de séculos de existência.

A origem da Fórmula do Arrabidine é incerta. Estima-se que terá sido criada na segunda metade do século XVI, anos após a inauguração do Convento de Nossa Senhora da Arrábida, em 1542.

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